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Imóvel retomado pela Caixa: leilão, venda direta, FGTS e o que olhar

Imóvel retomado pela Caixa chega ao comprador por quatro portas, dois leilões, licitação e venda direta, e o desconto cresce a cada porta, junto com a chance de o imóvel estar ocupado.

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imóvel retomado pela caixa

A casa de dois quartos anunciada por sessenta mil reais numa cidade onde nada custa menos de cento e vinte tem uma explicação simples: pertencia a alguém que financiou, parou de pagar e perdeu o imóvel para o banco. É assim que nasce um imóvel retomado pela Caixa, e é por isso que ele custa menos.

O banco não quer o imóvel; quer o dinheiro emprestado de volta, e vende com desconto para se livrar do bem. Quem compra paga barato e assume o que vem junto, que pode ser um morador que não saiu, uma dívida de condomínio e a impossibilidade de visitar antes.

Este texto mostra as quatro formas pelas quais a Caixa vende, quando o FGTS e o financiamento entram, o que o edital revela sobre ocupação e dívidas, a diferença de custo e a sequência para comprar sem surpresa.

Aqui estão o caminho do imóvel até a prateleira do banco, as quatro portas de venda e o desconto de cada uma, FGTS e financiamento, e a tabela de comparação. Entram a ocupação e as dívidas, os erros de quem compra pela foto, a ordem para agir, os custos e as dúvidas mais frequentes.

Imóvel retomado pela Caixa: de onde ele vem

O financiamento habitacional usa a alienação fiduciária, e o imóvel fica em nome do banco até a última parcela. Com o atraso, o cartório intima o devedor, que tem quinze dias para pagar; se não paga, a propriedade se consolida no banco. A lei obriga o banco a tentar dois leilões: o primeiro pelo valor de avaliação, o segundo pelo valor da dívida com despesas. Os dois têm data marcada e edital publicado.

Se ninguém arremata nos dois, o imóvel entra no estoque do banco, que passa a vendê-lo por licitação ou por venda direta, com desconto maior a cada rodada. O estoque tem dezenas de milhares de unidades, e a maior parte está em cidades médias e pequenas, longe dos grandes investidores.

As quatro portas de venda

No primeiro leilão, o preço é o de avaliação, e raramente há lance, porque é o de mercado. No segundo, o preço cai ao saldo devedor mais despesas, o que já costuma dar desconto de vinte a quarenta por cento, e é onde os investidores aparecem.

Depois vem a licitação aberta, com propostas fechadas e o maior valor vencendo. Fecha o ciclo a venda direta on-line, a última porta: preço fixo, já com desconto que pode passar de cinquenta por cento, e leva quem paga primeiro. Cada porta tem edital próprio, com as regras de pagamento, a possibilidade ou não de financiar e a situação de ocupação. O mesmo imóvel pode passar pelas quatro em seis meses.

Em cidade do interior, o estoque do banco às vezes é o único imóvel à venda com desconto real, e os pregões se concentram em poucas datas. Uma página de leilão de imóveis em Tianguá, por exemplo, reúne os lotes ativos da cidade e da região, com leiloeiro, data e edital, e mostra em qual etapa cada imóvel está.

Comparativo entre as portas

Como cada forma de venda funciona
PortaPreçoQuem leva
1º leilãoValor de avaliaçãoMaior lance
2º leilãoSaldo devedor e despesasMaior lance
Licitação abertaMínimo do editalMaior proposta fechada
Venda direta on-lineFixo, com descontoPrimeiro que paga

FGTS, financiamento e pagamento

Nem todo imóvel do estoque aceita financiamento: o edital diz, lote a lote, se a compra é só à vista ou se admite crédito habitacional do próprio banco, e nesse caso o comprador passa pela análise normal, com renda e cadastro.

Já o FGTS entra quando o imóvel é residencial, urbano, dentro do teto do sistema e o comprador cumpre as regras do fundo, como três anos de carteira e não ter outro imóvel na cidade. Pagar à vista costuma render desconto adicional na última etapa. Em todas as portas, o comprador paga ITBI, registro e, nos leilões, a comissão do leiloeiro de cinco por cento, fora do preço do lote.

Ocupação, dívidas e os erros de quem compra pela foto

O edital informa se o imóvel está ocupado, e a maioria está: o antigo devedor, um inquilino ou um parente continua lá. A desocupação é responsabilidade do comprador, por acordo ou por ação de imissão na posse, que leva de três meses a mais de um ano.

As dívidas de condomínio e de IPTU anteriores à venda seguem a regra do edital. Em geral ficam com o banco até a data da compra e com o comprador dali em diante, mas há lotes em que o débito inteiro passa a quem compra. Não há visita: a compra é pela descrição, pela matrícula e pelas fotos, quando existem. Os erros mais comuns são ignorar a linha da ocupação, não somar condomínio atrasado ao preço e contar com financiamento em lote que só aceita à vista. Cada um deles já custou o desconto inteiro a alguém.

Em ordem, para agir

  1. Escolher a cidade e acompanhar as quatro etapas, porque o mesmo imóvel muda de preço entre elas.
  2. Ler o edital do lote: forma de pagamento, aceita ou não financiamento e FGTS, ocupação, quem paga as dívidas.
  3. Pedir a certidão de matrícula e ir ao condomínio e à prefeitura conferir os débitos.
  4. Ir até a rua do imóvel e conversar com vizinhos sobre quem mora ali.
  5. Somar preço, comissão, ITBI, registro, dívidas e desocupação antes de dar o lance ou pagar.

O passo quatro custa uma tarde e evita comprar a casa onde a família do devedor mora há dez anos e não pretende sair. Vizinho conta o que o edital não diz.

Quanto custa

O desconto sobre a avaliação fica, em geral, entre vinte e quarenta por cento no segundo leilão e entre quarenta e sessenta na venda direta. Sobre o preço pago entram a comissão do leiloeiro de cinco por cento nos leilões, o ITBI de dois a três por cento conforme a cidade, e o registro, de meio a um por cento. A certidão de matrícula custa de R$ 40 a R$ 120, e a desocupação por ação judicial, com advogado, fica entre R$ 3 mil e R$ 8 mil, mais o tempo.

Um imóvel de R$ 100 mil comprado na venda direta sai por R$ 108 mil a R$ 112 mil com as taxas, sem contar dívidas e desocupação. Ainda assim, bem abaixo do mercado.

Perguntas frequentes sobre a compra

Imóvel retomado pela Caixa pode ser financiado?

Depende do lote: o edital diz se aceita crédito habitacional. Muitos da venda direta aceitam, com análise normal de renda; os de leilão costumam ser à vista.

Dá para usar o FGTS?

Sim, quando o imóvel é residencial urbano, dentro do teto do sistema, e o comprador cumpre as regras do fundo. O edital indica os lotes que aceitam.

Posso visitar antes?

Em geral, não. Compra-se pela descrição, pela matrícula e pelas fotos. Ir até a rua e falar com vizinhos é o que resta.

Quem tira o morador?

Quem compra, por acordo ou por ação de imissão na posse, que leva de três meses a mais de um ano. O banco não desocupa.

Quem paga o condomínio atrasado?

O edital diz. Na maioria dos lotes, o banco quita até a data da venda; em outros, a dívida inteira passa ao comprador, e o preço reflete isso.

Qual porta tem o maior desconto?

A venda direta on-line, com preço fixo e desconto que pode passar de cinquenta por cento, para quem paga primeiro.

Resumo

Imóvel retomado pela Caixa é o financiado que voltou ao banco depois do atraso, e chega ao comprador por dois leilões, licitação e venda direta, com desconto maior a cada porta. Financiamento e FGTS dependem do edital de cada lote, e as taxas somam de oito a doze por cento sobre o preço. A ocupação é a regra e a desocupação é do comprador; as dívidas seguem o edital. Ler o edital, puxar a matrícula, conferir condomínio e prefeitura e ir até a rua do imóvel são o que separa o desconto real do problema comprado barato.

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