O auditor fiscal Denis Kobama Yonamine, investigado na Operação Fisco Paralelo, pediu ao Tribunal de Justiça de São Paulo o benefício da Justiça gratuita e o desbloqueio de seu salário, de aproximadamente R$ 40 mil mensais. A operação foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo para apurar um esquema de propinas de R$ 1 bilhão na Secretaria da Fazenda e Planejamento.

A desembargadora Carla Rahal, da 11.ª Câmara de Direito Criminal, afirmou que a alegação de violação a princípios constitucionais “exige exame mais detido dos fundamentos adotados na origem, providência incompatível com a apreciação liminar”. Sobre o pedido de gratuidade, ela disse que “será apreciado oportunamente”.

Nos autos, Denis Kobama argumentou que a redução de seus vencimentos “viola princípios constitucionais como a presunção de inocência, a irredutibilidade salarial, a dignidade da pessoa humana e a proporcionalidade”. Os pedidos foram feitos por meio de um mandado de segurança criminal. Em abril, já afastado das funções por ordem do secretário da Fazenda Samuel Kinoshita, o contracheque do auditor ficou em R$ 16,6 mil, devido ao corte de vantagens da carreira.

O benefício da Justiça gratuita é concedido a quem comprova não ter recursos para pagar custas processuais sem prejudicar o próprio sustento ou o da família. Ao pedir o desbloqueio do salário, Kobama alegou que “os vencimentos possuem natureza alimentar e que a supressão integral da remuneração compromete a própria subsistência e de sua família”.

A defesa sustenta que a medida cautelar imposta durante a investigação não pode ser usada como punição econômica antecipada antes de uma condenação. O auditor pediu o restabelecimento imediato do pagamento integral e, ao final do processo, a devolução dos valores não pagos.

Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), Denis Kobama exercia papel central no esquema. Ele integra o grupo de auditores fiscais investigados após a Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025, que desmantelou um esquema de R$ 1 bilhão em propinas de grandes empresas do varejo para agilizar o ressarcimento de créditos de ICMS-ST.

Agente fiscal na Delegacia Regional Tributária do ABCD, Kobama seria o elo entre empresários interessados nas fraudes e a contadora do esquema, Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, conhecida como “Nina”. A acusação afirma que ele levantava informações contábeis, direcionava fiscalizações para servidores ligados ao grupo e “oferecia” mecanismos para reduzir autuações fiscais ou obter créditos tributários indevidos. Os promotores dizem ainda que ele fornecia dados para a elaboração de pedidos fraudulentos de ressarcimento de ICMS-ST e de crédito acumulado, participando da preparação e protocolo desses procedimentos.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.