O Supremo Tribunal Federal (STF) tende a validar a redução de penas para condenados do 8 de Janeiro e da trama golpista, mas com recados sobre a necessidade de combater novos ataques à democracia. Parte dos ministros discorda do PL da Dosimetria por entender que a medida incentiva novos atos, mas há consenso de que a definição das penas é prerrogativa do Congresso Nacional.

A severidade das punições era vista como vacina contra novos atentados, risco que a área de segurança do Supremo não despreza em ano eleitoral. Os magistrados avaliam que, se as punições foram altas, isso se deve ao próprio Congresso, já que a dosimetria foi calculada com base em penalidades previstas em lei. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse que o partido vai entrar com ação no STF pedindo a inconstitucionalidade da norma. A judicialização era esperada.

O processo será sorteado a um ministro relator. Segundo ministros ouvidos, a maioria tende a manter a lei por respeito à separação dos Poderes. Houve comentários sobre possível afronta à impessoalidade, já que o projeto beneficiaria um grupo específico. Mas o momento institucional do Judiciário, com crise de credibilidade, é visto como delicado para interpretações mais ousadas. Ministros como André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Edson Fachin devem votar pela constitucionalidade.

Gilmar Mendes já disse que o Congresso pode reduzir penas, mas não anistia ampla. Flávio Dino afirmou que o Congresso pode mudar a lei, mas espera que não o faça. Alexandre de Moraes disse em dezembro que atenuar penas seria um recado de tolerância a flertes contra a democracia, mas sinalizou que, se foi a opção do Congresso, cabe a ele aplicar as mudanças. Ele negou pedido da cabeleireira Débora Rodrigues porque a lei ainda não está em vigor.

Moraes manteve diálogo com parlamentares sobre o projeto. Assessores avaliam que a vigência da lei pode arrefecer tensões, preservando o poder do STF na execução das penas, já que a aplicação das novas regras ficará a cargo de Moraes. Cinco advogados de condenados já preparam pedidos de recálculo. Segundo relatório de 26 de abril, 1.402 réus foram responsabilizados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista, dos quais 850 foram condenados a penas privativas de liberdade. Destes, 419 tiveram pena convertida em serviços comunitários.

Afora os ANPPs (Acordos de Não Persecução Penal), a penalidade mínima foi de três meses de prisão e a máxima, de 27 anos e três meses, caso do ex-presidente Jair Bolsonaro. A maior parte dos réus (404 casos) foi condenada a um ano. Com a nova lei, a pena de Bolsonaro pode ser reduzida para 22 anos e um mês, com progressão de regime mais rápida. Atualmente, a previsão é de cinco anos e 11 meses em regime fechado, prazo que pode diminuir para três anos e três meses.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.