Um dia após a categoria negar a proposta, os servidores da USP (Universidade de São Paulo) indicam que vão aceitar as propostas da reitoria para encerrar a greve. O comando do movimento recomenda que os trabalhadores aprovem o acordo.

A gestão de Aluisio Segurado oferece uma gratificação de até R$ 1.600 mensais para todos os funcionários. Também se comprometeu a estudar um novo sistema de mobilidade interna para os servidores, que hoje não têm gratuidade nos ônibus circulares da Cidade Universitária.

O fim da paralisação está condicionado a um acordo documentado. Os servidores exigem que os termos negociados sejam registrados por escrito. Também pedem o compromisso de não punição e a regularização da frequência nos dias de greve. Outra exigência é o agendamento de uma reunião para ouvir as demandas dos estudantes, que também boicotam as aulas.

O Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo) convocou uma assembleia para as 12h30 desta quinta-feira (23) para deliberar sobre o tema.

O comando de greve se reuniu na noite de quarta-feira (22) após uma longa negociação com a reitoria. O encontro ocorreu depois de uma breve assembleia dos servidores, que havia votado pela continuidade da greve para conquistar novos compromissos da gestão.

A reunião terminou sem acordo, com a gestão insistindo na proposta inicial. Os trabalhadores afirmam ter recebido um ultimato: dar uma resposta até quinta-feira ou as propostas seriam retiradas. A USP nega essa versão.

“Houve uma avaliação majoritária de que as propostas apresentadas representam conquistas muito importantes, fruto direto da força da nossa greve, e que as garantias reais da efetivação dos compromissos se darão por meio de nossa mobilização constante”, disse o Sintusp em boletim enviado aos servidores.

A greve começou por causa de um bônus para professores, chamado Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas). A medida foi aprovada pelo Conselho Universitário em 31 de março e criou um pagamento adicional de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos estratégicos, como disciplinas em inglês e ações de extensão.

A bonificação aos servidores seria paga mensalmente pelo mesmo período da Gace, inicialmente de dois anos, com possibilidade de prorrogação. Pela proposta da reitoria, o valor total reservado para os funcionários seria igual ao dos professores: R$ 238,44 milhões por ano. Esse valor seria dividido entre os cerca de 12 mil servidores. Com isso, cada um receberia aproximadamente R$ 1.600 mensais.

Estudantes ampliam mobilização

O movimento estudantil já chegou a 105 cursos, na capital e no interior. Novas assembleias ainda serão realizadas em dezenas de graduações. Entre as faculdades paralisadas está a Escola Politécnica, dos cursos de engenharia, que historicamente não adere a esse tipo de movimento.

As unidades e campi têm pautas unificadas: melhores condições de permanência, aumento no valor das bolsas e investimento na qualidade dos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas, especialmente na Faculdade de Direito. As unidades são terceirizadas.

Outra queixa dos alunos é a minuta que regulamenta os espaços dos centros acadêmicos. O texto tramita em órgãos internos da universidade e pode acabar com o comércio realizado pelas entidades.

As demandas individuais preocupam os gestores da USP e só aumentam. Na EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), a USP Leste, os alunos pedem a criação de uma moradia estudantil própria por causa da distância do campus em Ermelino Matarazzo até a Cidade Universitária, no Butantã.

A gestão de Aluisio Segurado afirma que tem atuado na valorização da carreira dos servidores técnicos e administrativos, com medidas para melhorar as condições de trabalho e a remuneração.

Sobre as demandas estudantis, a reitoria diz possuir uma política robusta de permanência. Em relação aos restaurantes, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento informa que equipes técnicas visitam as unidades para apurar as denúncias e que medidas administrativas estão sendo tomadas. Quanto à minuta dos espaços estudantis, a instituição afirma que não pretende cercear a liberdade das entidades, mas garantir segurança jurídica.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.