O advogado-geral da União, Jorge Messias, busca uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) com um histórico favorável: desde a redemocratização, em 1988, todos os indicados ao cargo foram aprovados pelo Senado. O placar mais baixo foi o de Francisco Rezek, em 1992, com 45 votos favoráveis. Para ser aprovado, Messias precisa de ao menos 41 votos, a maioria absoluta da Casa.

O governo avalia que o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode contar com cerca de 50 votos favoráveis. A oposição, no entanto, projeta um cenário mais difícil, com possibilidade de menos de 35 votos. A votação de Messias ocorre em meio a um período de tensão entre o Executivo e o Legislativo.

Entre os ministros já aprovados, os placares variam. Luiz Fux (2011) recebeu 68 votos favoráveis, o maior número. André Mendonça (2021) e Flávio Dino (2023) tiveram, respectivamente, 32 e 31 votos contrários, os maiores índices de rejeição. Edson Fachin (2015) teve 27 votos contra.

Para especialistas ouvidos pela CNN, a variação nos votos depende de fatores como a relação entre o Planalto e o Senado e o contexto político. O cientista político Roberto Goulart Menezes, da UnB, cita o exemplo de Rezek: a baixa votação em sua segunda indicação, em 1992, refletiu a crise do governo Collor, não sua trajetória pessoal. A professora Débora Messenberg, também da UnB, afirma que a polarização política tem influenciado as votações, transformando um critério técnico em disputa política.

A indicação de Messias foi encaminhada ao Senado em 1º de abril, mais de quatro meses após o anúncio do presidente Lula. O governo esperou para articular o apoio necessário. Esta é a terceira indicação de Lula ao STF na atual gestão, depois de Cristiano Zanin e Flávio Dino.

A sabatina de Messias está marcada para 28 de abril na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator, senador Weverton Rocha (PDT-MA), já atesta que o indicado cumpre os requisitos constitucionais. Se aprovado na comissão, o nome segue para votação secreta no plenário do Senado.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.