O piloto brasileiro Rafael Câmara, de 19 anos, vive um momento de destaque no automobilismo internacional. Pole position da etapa de Barcelona da Fórmula 2, ele é um dos principais nomes do país na categoria. Piloto da Invicta Racing e integrante da Ferrari Driver Academy, o pernambucano conquistou na última sexta-feira (12) sua segunda pole consecutiva na Fórmula 2 e largará na primeira posição na corrida principal deste domingo.
Em entrevista à coluna Alta Velocidade, Rafael Câmara falou sobre o início de sua trajetória no kart, a mudança para a Europa, a adaptação à Fórmula 2 e a experiência de testar um carro de Fórmula 1.
Sua história no automobilismo começou em 2011, por influência do irmão. O pai tinha um amigo cujo filho corria de kart e deu uma chance ao irmão de Rafael. O irmão andou um pouco em Recife, mas não gostou tanto quanto Rafael, que sempre acompanhava e gostava de estar no ambiente. Quando o irmão parou, Rafael insistiu com o pai para deixá-lo correr, começando aos seis anos de idade.
Naquela época, ele não imaginava uma carreira profissional. Quando criança, não se tem noção se aquilo vai se tornar algo sério. A prática começou como uma brincadeira, movida pela paixão, e acabou ficando séria.
Rafael correu de kart até os 15 anos. Começou em Recife, depois a família se mudou para São Paulo. Mais tarde, foi para os Estados Unidos e também correu na Europa.
A transição para os monopostos ocorreu na Fórmula 4 Italiana e na Fórmula 4 Alemã, disputando os dois campeonatos no mesmo ano. Ele também participou da F4 dos Emirados Árabes Unidos, que serviu como pré-temporada. Foi durante o período da Covid-19, o que o fez perder algumas etapas.
Os resultados começaram a aparecer na FRECA. Rafael fez dois anos na categoria. No primeiro, estava mais confiante, mas ainda inconstante, terminando em quinto lugar. No segundo ano, tudo se encaixou e ele conquistou o campeonato, o que abriu a oportunidade de subir para a Fórmula 3.
Na Fórmula 3, ele foi para a Trident. A equipe disputou o campeonato em um bom nível e, depois, surgiu a oportunidade de ir para a Invicta.
Segundo Rafael, a adaptação da Fórmula 3 para a Fórmula 2 foi tranquila e natural. Desde o primeiro dia ele se sentiu confortável com o carro e com a equipe. Ele destaca diferenças como os freios de carbono e o turbo, que são os aspectos que o piloto mais sente, além do trabalho de manter os freios na temperatura ideal. Nada foi muito complicado.
Sobre a vitória recente em uma corrida de apoio em Barcelona, ele afirmou que foi muito bom. Uma vitória traz confiança para a equipe e para o piloto. No entanto, os pontos mais importantes estão nas corridas da Fórmula 2, então o foco continua sendo estar preparado para elas.
A experiência de pilotar um carro de Fórmula 1 foi algo muito especial. Rafael disse que parece outro esporte, outro nível. Os pais estavam presentes, o que tornou tudo ainda mais marcante. Foram dois dias de testes que ensinaram muito sobre o funcionamento de um carro e de uma equipe de Fórmula 1, uma experiência que ele gostaria de repetir.
Rafael também comentou sobre o apoio da torcida brasileira, que está acompanhando sua trajetória mais de perto. Para ele, é muito legal sentir esse apoio.

