Os consulados-gerais do Brasil nos Estados Unidos registraram um número recorde de pedidos de certidão de nascimento para filhos de brasileiros nascidos no país. Dados do Itamaraty mostram que, no ano passado, foram feitas mais de 21 mil solicitações, contra 5.660 em 2021. O aumento foi observado em todas as unidades consulares.

O principal motivo apontado para a alta é a política de imigração do governo de Donald Trump. A obrigatoriedade de visto para americanos viajarem ao Brasil, que começou em abril de 2025, também contribuiu para o movimento.

Um caso que ilustra a situação é o de uma mãe de trigêmeas, que pediu para não ser identificada. Ela voltou ao Brasil depois que o marido foi detido pela imigração em janeiro e deportado. Ela tinha um pedido de visto de trabalho em análise e o marido estava com o visto de turista vencido. Para manter a família unida, ela conseguiu as certidões de nascimento das filhas e os passaportes em regime de urgência no consulado.

Muitos pais também buscam o documento por medo de serem detidos pelo ICE, a agência de imigração americana. A preocupação é que, se deportados, os filhos ficassem em abrigos nos EUA, separados da família. Essa prática de separação de famílias foi comum no primeiro governo Trump e ainda há relatos de casos, embora em menor escala.

Há ainda quem solicite a certidão para viajar com os filhos ao Brasil sem a necessidade de visto americano. Os consulados de Boston, Nova York e Miami, que atendem as maiores comunidades brasileiras, foram os que mais receberam pedidos. O crescimento foi de 551%, 339% e 119%, respectivamente, entre 2021 e 2025. No total, o aumento foi de 271%.

O processo para tirar a certidão em um consulado é gratuito e mais simples do que fazer em cartório no Brasil. Neste caso, além dos custos com apostilamento e traduções, a pessoa precisa confirmar a nacionalidade brasileira na Justiça ao completar 18 anos.

Desde janeiro de 2025, ao menos 5.000 brasileiros foram deportados dos EUA em 63 voos. Entre eles, 164 eram menores de idade. A maioria das crianças viajou com os pais deportados e chegou apenas com documentos americanos. Ao menos nove adolescentes foram deportados sozinhos e encaminhados para a casa de familiares no Brasil.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.

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