A tipificação do crime de vicaricídio trouxe uma resposta mais eficiente no país. O crime, que é a violência praticada contra a mulher com o objetivo de atingi-la emocionalmente, agora é definido pela Lei nº 15.384/2026, sancionada neste mês.

Conforme explica a professora do curso de direito do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Kamilla Barcelos, esse tipo de violência é frequente, mas antes não era tratado de forma específica. A nova legislação representa uma resposta mais firme a essa modalidade delitiva.

“O agressor busca atingir a vítima por meio de quem ela ama”, afirma a professora. A violência vicária, portanto, usa terceiros próximos à mulher como instrumento para causar sofrimento psicológico.

A nova medida protetiva incluída na lei promete melhorias no processamento de denúncias. No entanto, a identificação dos atos de vicaricídio continua sendo um desafio, pois muitos casos ocorrem de forma obscura, o que dificulta ações preventivas.

Kamilla Barcelos destaca a importância do conhecimento para combater esse crime. “A informação salva vidas. Quando a mulher reconhece os sinais e tem apoio, aumenta a chance de proteção não só dela, mas de toda a sua rede afetiva”, disse.

O termo vicaricídio ganhou maior projeção pública após um crime ocorrido em Itumbiara (GO), em março de 2026. Na ocasião, o secretário municipal Thales Machado matou os dois filhos e cometeu suicídio após um pedido de separação feito por sua esposa. Este caso trágico ilustrou de forma evidente a dinâmica do vicaricídio.

A professora avalia que a nova lei é um passo importante para o enfrentamento da violência doméstica e familiar. A tipificação clara do crime permite que o sistema de justiça atue com instrumentos mais adequados, oferecendo uma base legal para a punição de quem pratica esse tipo de agressão.

A expectativa é que, com a vigência da nova norma, haja um avanço na proteção das mulheres. A lei busca coibir uma prática cruel que amplia os danos da violência, atingindo não apenas a vítima direta, mas todo o seu círculo de convivência e afeto.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.