Mais de 40 mil pessoas acompanharam o clássico Palmeiras 1 a 1 Santos no Allianz Parque. O jogo foi intenso e movimentado, mas ficou marcado pela ausência de Neymar. O atacante não jogou por escolha, não por lesão ou suspensão.
Neymar perdeu mais uma oportunidade de mostrar a Carlo Ancelotti que está em processo consistente de recuperação. Faltam poucos dias para a convocação, no dia 28 de maio, e cada minuto em campo pesa na avaliação. Ao se recusar a jogar no gramado sintético, ele impediu o técnico de observá-lo diretamente em jogo – o que é fundamental para medir ritmo, mobilidade, confiança e intensidade.
É legítimo que um jogador se preserve, mas a decisão gera questionamento quando interfere diretamente na avaliação técnica em um momento decisivo. Ainda mais quando todos os outros jogadores entram em campo nas mesmas condições.
O episódio ganha contorno ainda mais relevante quando se olha para a Copa do Mundo de 2026. A Fifa não permitirá gramados 100% sintéticos, mas adotará, em vários estádios, o modelo híbrido – grama natural reforçada com fibras sintéticas. Ou seja, não é exatamente o tipo de campo que Neymar vem evitando.
Surge um cenário desconfortável: se o argumento é risco físico, como ele reagirá diante de um gramado híbrido em uma Copa? Vai jogar normalmente? Vai impor restrições? Vai selecionar partidas? Não é apenas uma dúvida teórica, mas uma questão prática que pode impactar diretamente o planejamento da seleção.
No futebol de alto nível, adaptação não é diferencial – é obrigação. Neste momento, Neymar parece caminhar na direção oposta. O clássico passou. O Palmeiras segue firme na liderança. O Santos segue pressionado. E Neymar segue sendo assunto – mas, mais uma vez, fora de campo.

