Em declaração conjunta ao lado do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu nesta terça-feira, 21, os imigrantes brasileiros em Portugal. A declaração ocorre em meio a tensões após a aprovação de leis em Portugal que tornam mais rígidas a imigração e a obtenção de cidadania.
“Brasileiros que estão em Portugal são trabalhadores e orgulham portugueses”, disse Lula, que está em visita ao país. O presidente fez esses comentários durante uma coletiva de imprensa conjunta com o líder português.
Em sua fala, o primeiro-ministro Luís Montenegro também se posicionou em defesa dos imigrantes brasileiros. Ele mencionou que têm ocorrido apenas alguns “focos de perturbação naturais” relacionados ao tema, minimizando a existência de um problema generalizado.
Lula ainda fez uma observação bem-humorada durante o evento. Ele brincou com o fato de que parte dos brasileiros que foram para Portugal em busca de trabalho não apoiam seu governo. Apesar disso, afirmou que continua a defendê-los perante as autoridades portuguesas.
O encontro entre os dois líderes também serviu para discutir temas de cooperação econômica e política internacional. Um dos principais pontos abordados foi a negociação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que permanece estagnada há anos.
O presidente brasileiro defendeu a conclusão e assinatura desse acordo. Ele reconheceu e ressaltou o apoio de Portugal para que o tratado seja efetivado. “Queremos que Portugal seja um parceiro comercial do Brasil e não só entrada para a União Europeia”, declarou Lula.
Segundo suas estimativas, o acordo abriria um mercado potencial de US$ 22 bilhões. Em sua fala, ele também criticou ações do Parlamento Europeu que, na sua avaliação, criaram obstáculos para a entrada em vigor do acordo.
Lula argumentou que as produções agrícolas do Brasil e da União Europeia não são rivais. “Agriculturas do Brasil e da UE não são competitivas, mas complementares”, defendeu. A declaração foi uma referência a países como a França, onde agricultores temem a concorrência do agronegócio brasileiro.
Ampliando o debate sobre comércio global, Lula defendeu a revitalização da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele fez uma crítica ao ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmando que ele não deu continuidade à assinatura de acordos comerciais quando assumiu o cargo.
“Quem na década de 80 defendia livre comércio se tornou protecionista”, observou o presidente. Em sua análise, ele citou a China como um exemplo de país que ganhou competitividade no cenário internacional nas últimas décadas.
Lula deixou claro que o Brasil rejeita a ideia de uma nova divisão global que force os países a escolherem lados. Ele reforçou que o Brasil não aceita uma situação em que seria obrigado a optar entre comerciar majoritariamente com os Estados Unidos ou com a China.
Outro ponto de concordância entre os líderes foi a defesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Lula reforçou que o bloco precisa ser defendido e fortalecido, um tema que já havia sido mencionado por Montenegro.
“Se não defendermos e valorizarmos a língua portuguesa ninguém vai. É algo que deve vir de nós”, afirmou o presidente brasileiro, destacando a importância da cooperação cultural entre as nações lusófonas.
A coletiva teve também momentos de descontração envolvendo o esporte. Lula brincou com a possibilidade de Brasil e Portugal se enfrentarem na final da Copa do Mundo de 2026. Ele disse que, nesse caso, ele e o primeiro-ministro assistiriam ao jogo nos Estados Unidos, um dos países-sede, ao lado do presidente norte-americano, Donald Trump.
Mais cedo, Lula já havia mencionado Trump com ironia, ao comentar declarações do ex-presidente dos EUA sobre ter encerrado guerras. No início de seu discurso, ele também fez referências ao futebol, lembrando o confronto entre Pelé e o português Eusébio na Copa de 1966.
Lula projetou um possível embate entre o brasileiro Vinícius Júnior e o português Cristiano Ronaldo em competições deste ano, usando a analogia esportiva para falar da relação entre os dois países. O evento marcou a agenda diplomática do presidente brasileiro em solo português.

