O projeto que regulamenta o filtro de relevância no Superior Tribunal de Justiça (STJ) aguarda a sanção do presidente Lula. A nova regra segue o modelo da repercussão geral do Supremo Tribunal Federal (STF) e define critérios para a análise de recursos especiais, com efeito vinculante sobre as demais instâncias.

O texto foi apresentado em junho pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e passou pelo Congresso em 32 dias. Se aprovado, vai implementar a emenda constitucional 125, de 2022, que criou o mecanismo.

Pela proposta, os recursos especiais só serão julgados se os ministros considerarem que o caso envolve questões relevantes nos campos econômico, político, social ou jurídico, que vão além do interesse das partes. Em cinco situações, porém, a relevância é automática: ações penais, atos de improbidade, causas acima de 500 salários mínimos, processos que possam gerar inelegibilidade e decisões que contrariem a jurisprudência consolidada da corte.

A expectativa é reduzir o volume de processos no STJ, que é a última instância para a interpretação de leis federais. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indica que, com os critérios automáticos, 36,8% dos recursos recebidos em 2021 e 40,4% dos de 2022 teriam a relevância reconhecida.

O ministro Luis Felipe Salomão, vice-presidente do STJ e coordenador da pesquisa, afirma que o filtro é usado por tribunais superiores em vários países para economizar tempo e recursos. Ele diz que o tribunal passará a focar em precedentes gerais e que a regulamentação obrigará juízes e tribunais inferiores a seguir as decisões tomadas em recursos com relevância reconhecida.

O procurador Paulo Mendes, adjunto do advogado-geral da União, diz que o STJ poderá decidir se uma decisão terá efeito apenas para o caso concreto ou se valerá como precedente para todos. Já o professor Cassio Scarpinella Bueno, da PUC-SP, vê problemas na divisão e critica os critérios fixos, principalmente o valor de 500 salários mínimos.

O advogado Leonardo Guerzoni Furtado, da Associação dos Advogados (AASP), afirma que o efeito vinculante dá peso grande a cada tese fixada. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também demonstrou preocupação com a suspensão de processos em todo o país sobre temas considerados relevantes. O texto aprovado prevê suspensão por seis meses, prorrogável por mais seis.

O ministro Salomão rebate as críticas e diz que o filtro não vai reduzir o mercado de trabalho para advogados, mas sim qualificar a atuação da categoria. Furtado, por sua vez, defende que o mecanismo seja usado para racionalizar o trabalho do tribunal, sem limitar o acesso dos cidadãos à corte.

Share.
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.

Ver todo o conteúdo