Há apenas alguns anos, Julián Quiñones chamava a atenção principalmente longe dos campos de futebol. Hoje, aos 29 anos, ele é o homem que faz uma nação inteira sonhar. O atacante se tornou o rosto do México na Copa do Mundo que o país sedia e pode ser considerado o grande vencedor do torneio até agora.

Os números falam por si. Na vitória por 2 a 0 sobre a África do Sul no jogo de abertura, Quiñones marcou o primeiro gol deste Mundial. No último jogo da fase de grupos, contra a República Tcheca, ele apareceu novamente e balançou as redes.

O ponto alto da sua atuação, até o momento, aconteceu nas oitavas de final contra o Equador. O ponta-esquerda contribuiu com um gol e uma assistência na vitória por 2 a 0 e foi o melhor jogador em campo. Com quatro participações em gols em quatro partidas, nenhum outro jogador representa tanto o bom momento do México quanto ele.

A carreira do colombiano de nascimento, no entanto, esteve longe de ser linear. Por muito tempo, Quiñones foi visto como um grande talento que atrapalhava a si mesmo. O ponto mais baixo foi em 2017, durante seu empréstimo ao Lobos BUAP, do México. Após uma noite de festa, ele se envolveu em uma briga com o companheiro de equipe William Palacios. A briga escalou a ponto de Quiñones dar entrada no hospital com ferimentos de faca. O incidente prejudicou sua reputação de forma duradoura.

Nos anos seguintes, o atacante voltou a aparecer nas manchetes por motivos negativos. Durante sua passagem pelo Tigres UANL, chamava a atenção por noites de festa excessivas e foi afastado do elenco em várias ocasiões pelo treinador. Torcedores rivais chegaram a chamá-lo de “o bêbado”.

A virada veio nos últimos anos. O casamento e o nascimento de uma filha lhe deram a estabilidade necessária. Além disso, Quiñones obteve a cidadania mexicana em 2023. Desde então, tornou-se o jogador ofensivo mais importante do país. Desde 2024, ele joga no Al Qadsiah, da Arábia Saudita.

Agora, Quiñones escreve seu conto de fadas pessoal no maior palco do futebol. O México sonha, em grande parte graças a ele, em chegar às quartas de final pela primeira vez em 40 anos. Para isso, será necessária outra grande atuação no próximo jogo das oitavas de final contra a Inglaterra, favorita ao título. Quem antes era um jogador polêmico se tornou o herói popular do México.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.