Cuba vai abrir o comércio de produtos agrícolas ao setor privado, segundo informações publicadas nesta quinta-feira. A medida marca uma mudança em uma área que era monopólio do Estado e ocorre em um momento de maior liberalização econômica no país.

A norma, divulgada no Diário Oficial, autoriza agricultores independentes, cooperativas, pequenas e médias empresas privadas e trabalhadores autônomos a comercializarem produtos do setor agrícola. Antes, o Estado controlava a venda da grande maioria da produção, permitindo que os produtores vendessem apenas parte do excedente de forma direta.

Com a nova regra, o setor privado poderá atuar como intermediário entre quem produz e os mercados, tendo acesso livre aos canais de atacado e varejo. No entanto, o governo cubano manterá o controle sobre os preços e sobre as exportações desses produtos.

A decisão de flexibilizar o comércio acontece após uma queda acentuada na produção agrícola nacional. Dados do Centro de Estudos da Economia Cubana da Universidade de Havana indicam uma redução de 52% entre os anos de 2018 e 2023.

Cuba, uma ilha com 9,6 milhões de habitantes, enfrenta há seis anos uma crise econômica profunda. Analistas apontam como causas o endurecimento das sanções dos Estados Unidos, problemas estruturais da economia centralizada do país e os efeitos negativos de uma reforma monetária que não obteve os resultados esperados.

Esta é uma das várias reformas recentes anunciadas pelo governo cubano em busca de maior abertura. No mês passado, foi autorizada a criação de empresas mistas, que são sociedades entre empresas estatais e investidores privados locais.

Outra medida importante foi o fim do monopólio estatal sobre a importação de combustíveis. Essa mudança permitiu que empresas privadas passassem a importar esses produtos diretamente, sem a intermediação obrigatória do governo.

Ainda no mês anterior, as autoridades cubanas anunciaram que a diáspora, especialmente os cubanos que residem nos Estados Unidos, poderá investir no país e ser proprietária de empresas privadas. O anúncio, contudo, não apresentou um marco jurídico detalhado para regular essas operações.

A série de medidas reflete uma tentativa de reverter a crise através de uma maior participação privada na economia. A abertura do comércio agrícola é vista como um passo para tentar reativar um setor vital, que sofreu uma queda drástica em sua capacidade produtiva nos últimos anos.

O sucesso dessas mudanças dependerá de como serão implementadas na prática e de sua capacidade de gerar novos investimentos e aumentar a oferta de alimentos no mercado interno. A manutenção do controle de preços pelo Estado, no entanto, é um ponto que seguirá moldando as dinâmicas desse setor.

Share.
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.

Ver todo o conteúdo